Postado em 13 de Maio às 10h48

Pesquisa associa falta de oxigênio na vida uterina à esquizofrenia

Ciência (5)

Estudos foram realizados em animais

Cientistas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), por meio de estudos em ratos, identificaram associações entre esquizofrenia e danos cerebrais originados pela diminuição do volume de oxigênio na vida intrauterina (hipóxia fetal).

Conforme os pesquisadores, a baixa oxigenação fetal (em ratos) gera disfunções em células do sistema nervoso central e alterações na arquitetura da massa cinzenta dos animais.

O estudo é um avanço no que diz respeito a busca por intervenções capazes de evitar danos nos cérebro de bebês afetados pela falta de oxigênio. Se a hipóxia gera um problema na mitocôndria, talvez um dia possamos melhorar a função mitocondrial em casos de pré-eclâmpsia e evitar a esquizofrenia, esclarece Tatiana Rosado Rosenstock, coordenadora do estudo, em entrevista à Fapesp.

O artigo publicado na revista científica Nature Research, assegura que a esquizofrenia é um transtorno mental multifatorial, associado a vários fatores ambientais, como a falta de oxigênio durante a vida intrauterina.

Apesar desta afirmação, Doutora Lilian Kaempf, médica psiquiátrica, garante não haver consenso quanto às origens da esquizofrenia: Não se tem uma resposta exata. Considera-se como causa a combinação de fatores genéticos, biológicos e ambientais. Os Manuais de Doenças Mentais (DMS) certificam que a doença tem etiologia desconhecida.

Doutora Rosiane Mattar, presidente da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), ressalta que a pesquisa divulgada pela Nature acende um alerta, contudo, é um estudo experimental realizado em ratos. Não há certeza científica da associação entre hipóxia fetal e esquizofrenia em seres humanos.

As pesquisas devem passar por rigorosos métodos e procedimentos até chegar a comprovações e serem legitimadas pela comunidade científica. Por enquanto, podemos comemorar apenas o avanço do conhecimento quanto aos danos cerebrais relacionados à baixa oxigenação fetal, assim como sobre as possíveis causas (etiologia) da esquizofrenia.

Saúde fetal


A falta de oxigênio nos fetos (hipóxia fetal) liga-se à insuficiência na placenta ou nos chamados anexos, como o cordão umbilical. Os principais danos ao bebê decorrentes da falta de oxigênio são paralisia cerebral, distúrbios no desenvolvimento neurológico e cognitivo. Algumas doenças maternas podem gerar defeitos placentários: Diabetes tipo I, hipertensão, problemas vasculares, pré-eclâmpsia.

Pré-natal

O pré-natal foi instituído para cuidar da saúde materno-infantil. O acompanhamento médico neste período é a melhor forma de proteger mãe e bebê. Doutora Rosiane Mattar garante que as gestantes e seus familiares precisam conhecer e seguir as orientações do médico assistente e ficar atentas a alterações como edema e dores de cabeça, por exemplo. Às mulheres hipertensas, com diabetes tipo I, com problemas vasculares, recomenda-se a consulta pré-concepcional para que inicie a gestação no melhor estado físico possível, afirma Rosiane.

Pré-eclâmpsia

A doença é caracterizada pela hipertensão arterial materna acompanhada pelo excesso de proteína na urina, após a vigésima semana de gestação. Afeta entre 3% e 7% das gestantes, a nível mundial, segundo o Manual MSD.

Dentre os fatores de risco estão: hipertensão crônica preexistente, distúrbios renais, diabetes preexistente ou gestacional, idade materna superior aos 35 anos ou inferior aos 17, história familiar de pré-eclâmpsia, gestação multifetal, obesidade, distúrbios trombóticos.

A pré-eclâmpsia pode ser assintomática, contudo, os principais sintomas são: edema (inchaço) gerado pelo acúmulo de líquido, ganho de peso excessivo, dores de cabeça. A doença deve ser tratada corretamente, caso contrário pode ocasionar deficiência no envio de oxigênio para o feto, restrição do crescimento, danos cerebrais e até morte do bebê. Os riscos pra mãe incluem isquemia materna, podendo danificar órgãos, em particular cérebro, rins e fígado.

Esquizofrenia

Doutora Carol Tamminga, psiquiatra especialista em esquizofrenia, chefe do departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade do Texas, explica que a esquizofrenia é um transtorno mental que envolve alterações no cérebro. É caracterizado por alucinações, delírios, pensamentos e comportamentos anormais, disfunções cognitivas (mental), problemas no desempenho profissional, social, nos relacionamentos e falta de autocuidados.

Os recursos terapêuticos envolvem o uso de medicamentos controlados, psicoterapia e apoio familiar. A detecção precoce e o tratamento favorecem a melhora a longo prazo. A esquizofrenia afeta aproximadamente 1% da população mundial (cerca de 77 milhões de pessoas). É mais frequente do que Alzheimer e a esclerose múltipla, afirma a autora no Manual MSD.

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