Postado em 13 de Outubro de 2017 às 15h57

Mobilidade Urbana Limpa

Inovação (15)

Brasil caminha a passos lentos para uma estrada pavimentada pela sustentabilidade.

Pensar em meios não poluentes de transporte é mais que uma necessidade. Já é uma obrigação mundial, pois a poluição afeta não apenas o meio ambiente, mas compromete a saúde de toda a população. Na França, por exemplo, o ministro do Meio Ambiente, Nicolas Hulot, afirmou que vai banir a comercialização de carros movidos a petróleo e diesel até 2040. A iniciativa faz parte da estratégia do país para diminuir o consumo de combustíveis fósseis, com o objetivo de fortalecer os compromissos firmados no Acordo de Paris com as outras partes signatárias.

Amsterdã, capital da Holanda, divulgou, em 2015, que pretende ter 100% de sua frota de ônibus elétrica até 2025. E na Itália, para combater os altos níveis de poluição, a cidade de Milão tem planos de pagar aos passageiros para irem de bicicleta até o trabalho. A proposta segue um compromisso do governo de destinar € 35 milhões para planos de mobilidade sustentável. Lá a ideia disseminada é que a mobilidade sustentável pode vir a ter um impacto muito significativo não apenas no ambiente ou na saúde, como também na economia das cidades ou vilas. Se na Europa alguns projetos pilotos estão mais avançados, na América Latina, a Colômbia, o Uruguai e o Chile estão liderando a agenda da mobilidade sustentável, com instituição do dia sem carro, teleféricos elétricos e a criação de uma zona verde, priorizando o uso de veículos elétricos e bicicletas. Mas não adianta parar por apenas um dia, quando a poluição veicular contribui com 72% da poluição do ar nas cidades urbanas (dados de 2012 do Central Pollution Control Board). 

Ônibus a bateria

Na cidade mais populosa (e poluída) do Brasil, um pequeno passo foi dado. Em julho deste ano, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo (SMT), por meio da SPTrans, apresentou um ônibus elétrico alimentado por baterias inteiramente fabricado em solo nacional. Trata-se de um veículo tipo Padron de quatro portas, com capacidade para 84 passageiros e até 300 km de autonomia. As baterias são de fosfato de ferro (LiFePO4), que levam de quatro a cinco horas para serem totalmente recarregadas. Além disso, o ônibus possui motores elétricos embutidos diretamente nas rodas e sistemas auxiliares hidráulicos e pneumáticos, integrados através de uma rede de controle. Isso significa que, em aceleração, o sistema consome energia das baterias tracionarias. Já nos momentos de frenagem, o sistema de tração transforma a energia cinética do ônibus em elétrica – e a armazena nas mesmas baterias.

A capacidade de produção anual da BYD – empresa chinesa de veículos elétricos e baterias que instalou uma fábrica em Campinas há cerca de dois anos e meio – é de 400 desses veículos por ano. A SMT está finalizando o edital de uma nova licitação para o sistema de transporte coletivo, que incluirá metas claras para a adoção de energias renováveis na frota. “Faz parte do plano de governo apresentado para a sociedade no ano passado a transformação do nosso sistema de ônibus. Na licitação nós vamos contribuir para que, ao longo do próximo contrato, as empresas operadoras em São Paulo vão reduzindo paulatinamente as emissões que provocam doenças respiratórias, envelhecimento precoce e efeitos indesejáveis no clima global”, disse o secretário de Mobilidade e Transportes, Sérgio Avelleda. A SPTrans também estuda modelos mais adequados e factíveis de combustível limpo que devem ser adotados, conforme o cronograma de renovação da frota e a partir da licitação. Atualmente, existem dois ônibus em operação na cidade que são totalmente movidos a bateria, ambos importados da China. E da frota de 14,5 mil veículos de transporte coletivo da capital paulista, menos de 2% é não-poluente deslocado.

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