Postado em 12 de Junho de 2017 às 08h24

Arborização Urbana

Gestão Pública (20)

Preocupação com o meio ambiente eleva a qualidade de vida nas cidades

Com o avanço urbano, as árvores disputam espaço com o concreto. O crescimento das cidades acarreta em maior poluição, alterações climáticas, dentre outras consequências que tornam o planejamento de espaços verdes tão importantes nos municípios. Investir na arborização urbana não é um subterfúgio meramente estético, mas indispensável para a qualidade de vida da população, como um dos componentes fundamentais na regulação do clima, na manutenção da qualidade do ar e na promoção da saúde e do bem-estar humano.

A cidade de Maringá, no Paraná, orgulha-se de possuir uma extensa área verde, que já lhe garantiu o título popular de Cidade Mais Arborizada do Brasil. Embora não haja dados oficiais para assegurar a
afirmação, o município de 403 mil habitantes dispõe de 19 parques que, juntos, somam 1,86 milhão de m² de área verde. Aliás, o verde sempre esteve associado à identidade local, até como referência histórica. Quando o arquiteto Jorge de Macedo esboçava o traçado da cidade em suas pranchetas, no início da década de 1940, já previa que reservas de matas nativas deveriam pontuar no mapa urbano como “pulmões” a oxigenar a cidade e sua população. “Se observar o mapa de Maringá, perceberá que o Parque do Ingá e o Bosque dos Pioneiros, duas das reservas de área verde da cidade, têm formato do órgão humano e, localizadas na área central (cerca de 1.5 mil metros de distância um do outro), cumprem com eficiência a função prevista pelo arquiteto”, explica o secretário municipal de Serviços Públicos, Vagner de Oliveira.

Conforme o secretário, desde sua concepção, a cidade teve uma concentração urbana planejada com rigor britânico. “A Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, responsável pela colonização da região, era uma corporação de capital inglês, portanto áreas verdes eram prioridades. E permaneceram dessa forma, na medida em que projetos de novos loteamentos devem prever arborização”.

Revista Servioeste - Saúde e Meio Ambiente Estudos apontam que locais arborizados economizam recursos públicos, por exemplo, na manutenção de áreas pavimentadas. Áreas arborizadas, quando comparadas...

Estudos apontam que locais arborizados economizam recursos públicos, por exemplo, na manutenção de áreas pavimentadas. Áreas arborizadas, quando comparadas àquelas expostas diretamente ao sol, sofrem menos com os fenômenos de contração e dilatação, diminuindo seu desgaste. Além disso, as copas das árvores filtram os raios solares, minimizando os efeitos da foto exposição humana que, em excesso, pode causar doenças de pele e de visão. Assim, por meio da arborização, os órgãos públicos tendem a reduzir seus gastos na área de infraestrutura e saúde.

“Esse aparato é testado constantemente, não apenas no plantio e manutenção, como poda, mas em situações de risco, como vendavais. Aliás, arborização é tema contínuo de debate sobre o manejo adequado, da polêmica poda em V, que expunha o centro da árvore aos efeitos do clima, ao esforço multidisciplinar da erradicação de uma planta que oferece risco”, exemplifica Oliveira.

O planejamento generoso de arborização das ruas de Maringá acarreta em benefícios para a cidade. A Prefeitura informa que não há estudos pontuais sobre a relação da arborização e a poluição na cidade,
mas medições ocasionais apontam que locais da cidade com menor número de árvores exibem maior índice de concentração de gás carbônico e sensação térmica mais intensa. “Um estudo mostrou que a idade das árvores na região central (cerca de 50 anos) influi na capacidade de fotossíntese, que ocorre de maneira precária. Medições apontaram que, mesmo com razoável densidade verde, a poluição e o calor persistiam em níveis superiores aos parâmetros para áreas com arborização suficiente para equilibrar essa relação”, afirma. Embora este fenômeno seja entendido pelo especialista como genérico, serve para ancorar alguma consideração sobre Maringá e sua vasta arborização. 

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