Postado em 17 de Junho às 10h29

Transporte sustentável

Especial (24)

Veículos elétricos ultrapassam 29 mil unidades em circulação no Brasil. No mundo, modalidade já soma sete milhões

Com poluição zero e 100% silenciosos, os veículos elétricos surgem como uma alternativa tecnológica para reduzir os impactos ambientais provocados pelo transporte urbano no Brasil e no mundo. Esses impactos vão desde a emissão de gases de efeito estufa - Monóxido de Carbono (CO), Dióxido de Carbono (CO2) e Dióxido de Enxofre (SO2) - até o uso excessivo do petróleo que contribuem para o aquecimento global, a poluição atmosférica e sonora nas áreas urbanas e o esgotamento dos recursos naturais do planeta.

Só para se ter uma ideia, pesquisa realizada pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade mostra que em São Paulo a poluição chega a ser 2,5 vezes maior do que o limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Rio de Janeiro, 75% da poluição está relacionada aos automóveis.

O uso da eletricidade no transporte, neste caso, substitui a combustão de poluentes e elimina a emissão de gases. O que alimenta o motor dos veículos é um conjunto de baterias que são constantemente recarregadas. Há as versões inteiramente elétricas (100% bateria) e as hídricas, que possuem dois motores, um a combustão e um elétrico, mesclando as funções de acordo com a velocidade – elétrico para baixa e combustão para alta.

É nesta distinção, porém, que se abre um parênteses para sublinhar os benefícios ambientais dos veículos elétricos. Os movidos a bateria não emitem poluentes e ruídos, porém são mais caros devido ao custo das baterias e seu uso é reduzido a curtos trajetos. Já os híbridos, apenas reduzem o impacto ambiental por ainda emitirem porcentagem pequena de poluentes na combustão, mas são maioria por comportarem grandes distâncias. Enquanto os primeiros são mais usados em áreas restritas, como condomínios e shoppings, os segundos respondem por 94% da frota elétrica nas ruas brasileiras.

De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), são 29,7 mil veículos elétricos em circulação no Brasil, 0,06% da frota total do País. Destes, 22,5 mil automóveis, 6,3 mil motocicletas/motonetas/ciclomotores e 891 ônibus e micro-ônibus. Apenas 6% deles são inteiramente elétricos.

Setor deve crescer 500% em cinco anos

O despertar para a maior preocupação ambiental aliado ao grande mercado para uso de fontes renováveis na produção de energia elétrica no Brasil são fatores que deixam o setor otimista. Para os próximos cinco anos, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) projeta crescimento em torno de 300% a 500% no mercado de veículos leves elétricos e híbridos no País.

A expectativa é sustentada pelos benefícios concedidos ao setor: redução tributária, bônus para aquisição, menor tarifa de licenciamento, estacionamento gratuito e taxa de energia reduzida para a recarga. No Brasil, os veículos elétricos têm isenção de IPVA em nove estados – São Paulo, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe, Paraná, Rio Grande do Sul – e alíquota diferenciada em São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. O governo do Paraná também solicitou a isenção de ICMS para veículos elétricos 100% a bateria produzidos no Estado.

Na cidade de São Paulo, a Lei Ambiental 16.802/2018 prevê que metade dos atuais 14.400 ônibus a diesel terá de ser trocada por veículos de baixa emissão de poluentes num prazo de dez anos. Toda a frota - maior do Ocidente e a terceira maior do mundo - terá de rodar com combustíveis renováveis em até 20 anos. A maior metrópole brasileira também concentra a maior frota de transporte do País e o maior número de veículos elétricos.

“Há uma preocupação maior no Brasil e no mundo com a redução da emissão de gases de efeito estufa, um dos fatores que responde pela alta na venda de veículos elétricos, mais de dez vezes em 2019 em relação a 2016. Os incentivos fiscais também influenciam, como a isenção do IPVA, a queda do IPI e a isenção do imposto de importação que foram muito contundentes e significativos, porque o peso do custo dos veículos elétricos é muito alto. Eles custam duas vezes o valor dos tradicionais. O preço é uma barreira grande do setor, especialmente pelo custo elevado das baterias e pela falta de pontos de recarga. Por isso também que os híbridos foram melhor recebidos” analisa o presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Guggisberg, ao destacar o preço médio dos veículos elétricos no Brasil: R$150 mil.

Elétricos serão metade da frota mundial até 2040

De acordo com relatório da Bloomberg New Energy Finance (BNEF), os carros elétricos devem passar de 2 milhões para 56 milhões de unidades até 2040, o que constituirá mais da metade da frota de veículos no mundo.

No Brasil, a Empresa de Pesquisa Energética do Ministério de Minas e Energia (EPE) prevê que em 2026 os veículos elétricos híbridos representarão 2,5% dos licenciamentos, ou cerca de 100 mil unidades, elevando o estoque total para 360 mil unidades.

Em 2030, segundo a EPE, os híbridos representarão 4,2% da frota total de leves, ou cerca de 2,2 milhões de veículos, para uma frota total estimada em 54 milhões.

Já em relação aos veículos totalmente elétricos a bateria, a Empresa de Pesquisa Energética projeta que os mesmos não entrarão no mercado antes de 2026 e ainda serão estatisticamente pouco significativos em 2030. 

No transporte público, a ABVE estima que a frota de ônibus elétricos e híbridos no Brasil vai se multiplicar por sete até 2030, passando das atuais 891 unidades licenciadas para mais de 6 mil mil unidades, graças aos programas de troca da matriz de combustível em várias cidades, especialmente em São Paulo.

“Há uma tentação do consumidor pelo veículo elétrico. Quem já substituiu não volta mais para os veículos a combustão, pelos benefícios, incentivos e pelo custo de deslocamento que é menor. O carro elétrico híbrido reduz o consumo de combustível e chega a fazer 26km a 29km por litro de diesel e 18km a 20km sendo gasolina e álcool. Uma SUV que fazia 4km por litro chega a fazer 16km. Isso tudo reflete na emissão dos gases poluentes”, ressalta o presidente da ABVE, Ricardo Guggisberg.

Já em relação aos carros autônomos elétricos (que dispensam motoristas), a ABVE afirma que ainda não há modelos fabricados no Brasil, tampouco há previsão para as primeiras frotas circularem no País.

Tipos de carros elétricos

Inteiramente elétrico: Não possui motor de combustão como os convencionais a gasolina, etanol, gás natural ou diesel. O único motor que o move é o elétrico, alimentado por baterias. Após o uso estas baterias devem ser conectadas em uma tomada ligada a rede elétrica para recarregar. Veículos desta categoria possuem uma autonomia menor (andam menos quilômetros com uma única carga completa). Alguns modelos de última geração já possuem autonomia bem elevada como o Tesla.

Híbrido: Não se conecta à rede elétrica. Estes modelos possuem dois motores, um a combustão e um elétrico. Em baixas velocidades, como no trânsito pesado, por exemplo, são os motores elétricos que funcionam, já em altas velocidades é o motor de combustão que assume.

Híbrido Plug-In: São como os carros inteiramente elétricos, porém possuem um pequeno motor de combustão que carrega as baterias. Este modelo possui a vantagem de no caso da bateria se esgotar o motor de combustão mantém o carro em movimento até que possa ser feita uma nova carga das baterias na rede elétrica. Esta característica aumenta sua autonomia.

Veja também

Nutrição e informação16/10 Dia Mundial da Alimentação é celebrado desde 16 de outubro de 1981 A obesidade e outras formas de desnutrição afetam uma em cada três pessoas no mundo. As projeções indicam que essa proporção no ano de 2025 se tornará uma em duas, informa a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e......
Estamos enxergando menos!26/05 Mudanças no estilo de vida tem aumentado índices de miopia no Brasil, que pode ter epidemia em 20 anos Segue um alerta para ficarmos literalmente de olho: o número de pessoas que está enxergando menos vem crescendo no mundo e......
A crise das chuvas09/07/19 Enchentes acontecem há mais de um século no Brasil e desafiam cidades na busca por soluções Keli Magri A enfermeira Sandra Portella ainda lembra com detalhes dos dias de caos vividos pela família em novembro de......

Voltar para NOTÍCIAS