Postado em 11 de Agosto às 11h18

Brasil é destaque na produção e reciclagem de alumínio

Resp. Ambiental (34)

A utilização do metal vai da arquitetura à astronomia

O alumínio é o terceiro elemento em maior abundância na crosta terrestre, atrás do oxigênio e do silício. Suas características versáteis como leveza, condutividade elétrica, resistência à corrosão, possibilitam diversas aplicações, o que explica o rápido crescimento da indústria do alumínio, a partir do aprimoramento de técnicas para obtenção do metal.

O alumínio não é encontrado diretamente em estado metálico. Sua obtenção parte da mineração da bauxita (principal fonte natural de alumínio) e depende de processos químicos que transformam o minério em alumina, matéria-prima do alumínio. São necessárias duas toneladas de alumina para produzir uma tonelada de alumínio primário (estado líquido). Depois dessa cadeia produtiva primária, decorrem vários outros processos, em diferentes segmentos industriais para que se chegue às folhas de alumínio utilizadas na confecção das latas de bebidas que temos em casa. É um longo processo produtivo.

A ABAL, Associação Brasileira do Alumínio, classifica o país como décimo quarto produtor de alumínio primário, quarto produtor de bauxita e terceiro produtor de alumina. Conforme a associação, o Brasil produziu 650 mil toneladas de alumínio primário (metal líquido) em 2019.

Potencial circular


O país é referência na reciclagem do metal. Em 2017, 54% dos produtos de alumínio provenientes do consumo doméstico foram transformados em sucata. A média mundial era em torno de 28%, detalha a ABAL.

97% das latas de alumínio consumidas no Brasil são recicladas, o equivalente a 26 bilhões de unidades.

Os resultados se devem ao investimento da indústria do alumínio no sistema de reciclagem e ao trabalho dos profissionais catadores. Conforme a Ancat, Associação Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis, 320 mil toneladas de latas são recolhidas por ano.

Jacson Tessaro, proprietário da Eccofer comercializadora de sucatas, conta que 30% do faturamento da sua empresa têm origem nos metais como o alumínio, comprados principalmente de catadores, associações de recicláveis e de algumas empresas parceiras. Tessaro explica que grande parte do material é destinado a fundições de São Paulo, onde é transformado em novos produtos. Da reciclagem do alumínio são produzidas ligas secundárias que permitem a fabricação de chapas e perfis para reutilização nos mais diversos segmentos da indústria.

A Eccofer recebe material reciclável de mais de 100 famílias de Chapecó e região contribuindo com a geração de renda e para a conscientização sobre a importância da reciclagem na preservação ambiental. Segundo a Ancat, um catador recebe entre meio e um salário mínimo por mês pelo trabalho de coleta.

O alumínio tem a vantagem de ser transformado com facilidade e, além disso:

É totalmente reciclável;

Sua refundição utiliza apenas 5% da energia necessária para a produção do metal primário a partir do minério (bauxita);

A cada quilo de latinha reciclada, cinco quilos de bauxita deixam de ser extraídas.


Metal com história

O Brasil tem uma cidade chamada Alumínio, no interior de São Paulo e um centro cultural em memória ao metal, criado em 2017. O Centro Cultural do Alumínio (CCAL) relata que desde a antiguidade o alumínio é empregado na produção de utensílios, medicamentos, cosméticos e no tingimento de tecidos. O metal já foi considerado precioso e raro, compondo coleções de joias e peças de Napoleão III.

Hoje, é utilizado em praticamente todos os segmentos industriais: da arquitetura à astronomia. Até mesmo algumas vacinas contra o novo coronavírus contém alumínio na forma de sal, componente seguro, informa a Revista Alumínio. O emprego do alumínio em diferentes estados da matéria possibilita o aprimoramento de novas tecnologias e produtos, frisa o CCAL.

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