Postado em 20 de Dezembro de 2017 às 08h45

Uma visita “CãoAmor”

Espaço Animal (14)

Projeto dos colaboradores da Unimed Chapecó apresenta resultados que demonstram que veio para ficar.

Quando a visita é com amor, ninguém resiste. Toda vez que a Fiona (Pug de 9 anos), a Xula (Pastor de Shetland de 10 anos), o Bono, (West Highland White Terrier de 6 anos) e o Bento (Pug de 4 anos) circulam pelos corredores e quartos de alguns pacientes do Hospital Unimed Chapecó, o ambiente se transforma com tantas expressões de sorrisos, brilho nos olhares e interação. Tudo isso confirma o quanto este ato faz bem ao proporcionar momentos de alegria, descontração e troca de carinho.

O projeto, batizado de CãoAmor pelos colaboradores da Unimed Chapecó, iniciou no dia 2 de agosto deste ano e, embora seja recente, já apresenta resultados que demonstram que veio para ficar. A iniciativa que ocorre semanalmente faz parte de um projeto desenvolvido pela diretora hospitalar, Dra. Carolina Ponzi, e apesar de ser um sonho antigo, ganhou forma a partir da sugestão da Unimed do Brasil para implantar como projeto de sustentabilidade e responsabilidade social.

Após aprovação do Conselho de ADM foram selecionados os cães, organizadas as regras de visitação e realizada a primeira edição que foi um sucesso.

Apaixonada por cães, Dra. Carolina conta que passou por duas experiências pessoais que a fizeram constatar por meio da presença de suas duas cachorras, o tamanho do bem-estar que esses animais podem proporcionar. Além disso, diversos estudos demonstram a importância da prática, confirmando que ao ter contato com bichinhos de estimação, os pacientes reduzem o uso de analgésicos porque sentem menos dor, diminuem o cortisol que é o hormônio do stress, além de interagirem mais, já que a prática estimula a socialização.

“A cada nova visita observamos o quanto os pacientes ficam felizes, relaxados e emocionados. Eles riem, interagem, abraçam e acariciam os cães. Os momentos são emocionantes para a equipe também, pois todos conhecem um pouco da história pessoal de cada um e os motivos de suas internações”, avalia Dra. Carolina.

Iniciativas semelhantes existem no Estado, porém a participação de pacientes adultos e o fato de os cães irem até as acomodações dos pacientes torna o projeto inédito no sistema Unimed de SC. 

Os três cães selecionados para o projeto frequentam a Escola de Adestramento Dog Show desde seus primeiros meses de vida. As visitas ocorrem em dupla e todos se completam com suas características. A Xula é muito dócil e extremamente treinada para realizar os mais diversos truques. A Fiona também os faz, mas como tem menor porte e é um cão de companhia, gosta muito de colo, afagos e abraços. O Bono tem comportamento tranquilo, dócil, sociável e obediente.

A tutora do Bono, Nuara Sabadin, considera a iniciativa sensacional. “Conhecia alguns projetos nesse estilo e é perceptível o bem que faz. É gratificante poder participar de uma iniciativa tão bacana. Ver a alegria dos pacientes e o carinho entre ambos me deixa muito feliz, por poder participar de alguma forma”.

Maria Leni Lorenzetti, 67 anos, de Concórdia, recebeu a visita duas vezes e ficou encantada. “Conheci a Fiona, a Xula e o Bono. Foram momentos muito bons porque eles trazem alegria, nos ajudam a esquecer dos problemas e contribuem até mesmo para aliviar a dor. É um projeto bonito e emocionante. Depois da primeira visita, passei a semana contando para a família e os amigos. O atendimento do Hospital é tão bom que não tem explicação. Com o projeto, ficou ainda melhor”, afirma.

A paciente Tereza Madalozzo, 69 anos, não cansou de fazer carinho na Fiona e no Bono. No dia da visita, ela estava internada há dois meses e os momentos com os cães a fizeram deixar de lado a ansiedade pela alta hospitalar. “O projeto é lindo e deve continuar! Traz alegria, carinho e lazer”, observa.

Natalia Girelli, 21 anos, de Chapecó, também aprovou o projeto. “A ação ajuda a passar o tempo, pois o cão traz carinho, alegria e movimenta o ambiente. Além disso, me ajudou a matar um pouco da saudade dos meus bichinhos: um pinscher e dois gatos”, enfatiza Natalia que estava em seu terceiro dia de internação.

Seleção dos cães

Revista Servioeste Saúde e Meio Ambiente Seleção dos cães Os cães foram selecionados a partir das suas características: adultos, dóceis, bem socializados e prontamente obedientes a comandos. Outros critérios incluem o...

Os cães foram selecionados a partir das suas características: adultos, dóceis, bem socializados e prontamente obedientes a comandos. Outros critérios incluem o fato de não terem costume de latir e fazer suas necessidades fora de local adequado.

Além disso, o banho dos pets deve ocorrer 24 horas antes da visita, é preciso atestado de boas condições de saúde emitido por um médico veterinário, estar com as imunizações e antiparasitários e anti-helmíntico em dia. “Ao chegar no hospital, eles têm as patas higienizadas e, após a visita, é feita limpeza do quarto e trocada a roupa de cama. Também orientamos pacientes e familiares sobre a higiene das mãos, visando garantir a segurança”, realça dra. Carolina. 

Quem recebe a visita

Revista Servioeste Saúde e Meio Ambiente Quem recebe a visita Com base na identificação de pacientes que podem participar do programa, é feito contato com eles ou seus familiares e, havendo aceitação, seus...

Com base na identificação de pacientes que podem participar do programa, é feito contato com eles ou seus familiares e, havendo aceitação, seus médicos são questionados para que expressem concordância para o desenvolvimento da atividade. Em seguida, ambos assinam um termo de consentimento livre e esclarecido. Os tutores dos cães também assinam documento de confidencialidade e autorização.

Outro cuidado importante está relacionado aos pacientes aptos a participar do projeto. Pacientes que tem pânico ou não gostam de animais, quem tem deficiência imunológica (pessoas em fase pós-quimioterapia, pós-transplante ou que usem medicações que diminuam as defesas), pessoas com alergia a pelos ou quando há contraindicação do médico por algum motivo não podem receber a visita dos peludos. Os pets também não podem entrar nas UTIs, no bloco cirúrgico, centro obstétrico, berçário, sala de recuperação, farmácia e setores de manipulação de alimentos.

É importante esclarecer, ainda, que é preciso estar atento para todos os cuidados na seleção dos cães, identificação de pacientes aptos a receber a visita, higiene das mãos e do ambiente para que se reduza praticamente a zero o risco de transmissão de zoonoses. “Ainda, para que as visitas sejam prazerosas para os animais, assegura-se que eles estejam relaxados, que não visitem locais estranhos que possam causar medo ou ansiedade. Atenta-se também para sua hidratação e conforto térmico e não se exagera no número de pacientes visitados por animal”, conclui Dra. Carolina. 

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