Postado em 06 de Março de 2018 às 17h01

São Paulo reduz o consumo de água em 15%

Gestão Pública (22)

Dois anos após fim do racionamento, moradores da Região Metropolitana Paulista incorporaram medidas no dia a dia que ajudaram a diminuir o consumo.

Os moradores da Grande São Paulo estão consumindo 15% menos água hoje do que há quatro anos, segundo dados divulgados pela Companhia Estadual de Saneamento Básico (Sabesp).

Em fevereiro de 2014 houve o início da seca no Sistema Cantareira e também o lançamento do programa de desconto na conta para quem reduzisse o gasto, promovido pelo governo paulista.

Atualmente, a Sabesp distribui 60,9 mil litros por segundo (l/s) para abastecer 21 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Há quatro anos, a demanda era maior: 71,4 mil l/s. A redução do volume foi de 10,5 mil l/s, o que equivale, em um dia, ao consumo de três milhões de pessoas. No auge da crise, em 2015, o volume distribuído chegou a ser de 53,2 mil l/s por causa do racionamento, que perdurou até início de 2016.

Outro dado importante divulgado pela Sabesp, que mostra a mudança de hábito no consumo hídrico, é o gasto médio per capita. Em 2017, foi de 129 litros por habitante/dia, o mesmo índice de 2016, o primeiro pós-racionamento. Em 2013, antes da crise, esse índice era de 169 litros por habitante/dia, ou seja: 31% maior.

A mudança definitiva de comportamento do consumidor para um uso mais consciente da água é fundamental para enfrentar uma situação que pode ser permanente de escassez hídrica.

É um equívoco achar que essas atitudes só fazem sentido se usadas em situações de crise – quando os reservatórios das cidades caem a um nível crítico. As situações de crise, na realidade, podem acontecer a qualquer momento, visto que o aquecimento global levou a uma mudança no clima que passou a ser extremo (por exemplo, secas prolongadas ou grandes inundações) e imprevisíveis. Assim, o que antes ocorria em uma situação de crise é agora uma condição que pode ser considerada potencialmente permanente.

Revista Servioeste - Saúde e Meio Ambiente A crise foi uma oportunidade para a mudança de comportamento do consumidor, o que é ótimo. Mas, embora o consumo per capita dos habitantes da RMSP tenha caído, ainda...

A crise foi uma oportunidade para a mudança de comportamento do consumidor, o que é ótimo. Mas, embora o consumo per capita dos habitantes da RMSP tenha caído, ainda está acima do indicado pela UN Water – divisão da ONU especialista em água – de 100 litros por pessoa, por dia, suficientes para suprir todas as necessidades de nutrição, higiene e saúde.

A água no planeta pode ser abundante, mas o percentual de água doce, utilizada nas atividades humanas vitais do dia a dia, é pequeno. Basta ver que, se toda a água da Terra coubesse em uma garrafa de 1 litro, a água doce disponível equivaleria a pouco mais de uma gota!

Essa relativa escassez, somada à gestão inadequada dos recursos hídricos, ao crescimento populacional, ao aumento do consumo de bens e alimentos e à instabilidade climática em consequência do aquecimento global, tem complicado a situação de disponibilidade de água em muitas cidades ao redor do globo, como é o caso nos dias de hoje na Cidade do Cabo (Africa do Sul) e Brasília, para citar apenas dois exemplos.

Neste contexto, todos os atores sociais devem participar e contribuir para que haja uma mudança real. O engajamento dos consumidores é tão importante quanto a atenção das organizações da sociedade civil, do governo ou das empresas.

Como reduzir o seu consumo de água no dia a dia

  • A água que sai da máquina de lavar roupa após o enxague pode ser aproveitada direcionando o cano de despejo da máquina para um balde. A cada ciclo de uma máquina de cinco quilos são gastos 135 litros. A água desse balde pode ser usada na descarga dos vasos sanitários, lavar o quintal ou o carro.
  • Use a água do aquário para regar as plantas. Ela é rica em nitrogênio, fósforo e potássio, que fortalecem as plantas, agindo como fertilizantes.
  • Seu chuveiro tem aquecimento a gás? Use um balde para coletar a água limpa que ainda não chegou à temperatura ideal para o seu banho. Essa água pode ser reutilizada para dar descargas, lavar o próprio banheiro ou as áreas externas, como quintais e varandas.
  • Antes de lavar pratos, vasilhames e panelas, limpe bem os restos de comida e jogue-os no lixo com a ajuda dos talheres, esponjas, panos e guardanapos já usados.
  • Em seguida, faça o ensaboamento a seco ou ponha a louça de molho numa bacia com água e gotas de detergente. Como sujeira amolece, basta esfregar de leve com a esponja para a louça ficar limpa. Lembrando que o uso excessivo de sabão e detergente exigem mais água para removê-los e acabam poluindo o meio ambiente (fonte: Sabesp- Especial Condomínios Economize Água).
  • Para economizar ainda mais, faça o enxague da louça com duas bacias cheias de água limpa, em vez de usar a torneira. Após ensaboar, molhe a louça na primeira e, depois, repita o processo na segunda para garantir que o sabão saiu.
  • No caso do uso da máquina de lavar louça, proceda à lavagem quando ela estiver cheia. Ao adquirir uma máquina, prefira aquela que requer menos água e energia, consultando as especificações antes da compra.

*Fonte: Akatu

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