Postado em 14 de Julho às 11h16

Febre amarela: risco atual de infecção é grande

Especial (22)

A recusa em tomar a vacina facilita a transmissão e pode levar à morte

Desde junho do ano passado, o número de macacos infectados pela febre amarela em São Paulo, Paraná e Santa Catarina levou o Ministério da Saúde a intensificar campanhas de vacinação. As mais de 350 mortes de macacos naqueles estados, somadas às centenas de notificações de mortes suspeitas de macacos entre julho de 2019 e o início de maio de 2020, colocaram a população sob alerta.

No período, mais de 200 municípios estavam afetados pela doença nos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Pará. As regiões Sul e Sudeste são as que mais preocupam, devido ao grande contingente populacional e ao baixo número de pessoas vacinadas. Segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, o estado registrou 47 mortes de primatas e dois óbitos de humanos por conta da doença em 2020.

Fernando de Camargo Passos, professor do Departamento de Zoologia da Universidade do Paraná (UFPR), explicou à Agência Brasil que, em áreas de mata, o vírus é transmitido pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes que costumam viver na copa das árvores, dividindo espaço com macacos. À medida que picam os primatas para se alimentar, as fêmeas desses insetos vão espalhando a doença. Os mosquitos podem picar uma pessoa que entre na mata. Quando volta à cidade, essa pessoa infectada pode ser picada por mosquitos Aedes aegypti, potencial transmissor da doença. A febre amarela está voltando a áreas onde não existia mais, justamente porque muitas pessoas não se vacinam, ressalta Passos.

Mesmo agora com o distanciamento social, a vacinação é recomendada em todo o território nacional.
 Somente a imunização pode prevenir a doença e conter surtos.

O que é a doença?

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus transmitido por mosquitos vetores, e possui dois ciclos de transmissão: silvestre (quando há transmissão em área rural ou de floresta) e urbano. O vírus é transmitido pela picada dos mosquitos infectados. Não há transmissão direta de pessoa a pessoa.

Por que macacos?

Os macacos não transmitem a febre amarela. São vítimas da doença. Sua morte serve de alerta. Macacos mortos são analisados para detectar se a causa morte foi febre amarela, o que aciona a vigilância no cuidado com as pessoas.

Sintomas

Início súbito de febre; calafrios; dor de cabeça intensa; dores nas costas; dores no corpo em geral; náuseas e vômitos; fadiga e fraqueza. A pessoa apresenta sintomas iniciais de três a seis dias após ter sido infectada. A maioria melhora após estes sintomas iniciais. No entanto, cerca de 15% apresentam um breve período de horas a um dia sem sintomas e, então, desenvolvem uma forma mais grave da doença.

Complicações

Febre alta; coloração amarelada da pele e do branco dos olhos; hemorragia (especialmente a partir do trato gastrointestinal); eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. Entre 20% a 50% das pessoas com febre amarela grave podem morrer.

Tratamento

O tratamento é apenas sintomático, com assistência ao paciente que deve permanecer em repouso, com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido em UTI, para reduzir as complicações e o risco de óbito.

Vacinação

Devem ser priorizadas as populações de maior risco: residentes em localidades com evidência de circulação viral e viajantes (trabalhadores, turistas/ecoturistas) que se deslocam para essas áreas; residentes em zona rural e no entorno de parques e unidades de conservação; populações ribeirinhas; trabalhadores rurais, agropecuários, extrativistas, de meio ambiente, etc.; indivíduos com exposição esporádica em áreas de risco (rurais e silvestres).

Pessoas entre nove meses e 59 anos de idade que não tenham comprovação de vacinação, devem receber a dose. As crianças tem um reforço da vacina aos quatro anos de idade. Aos demais, a Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta apenas uma dose da vacina durante toda a vida.

Quando vacinar?

A vacina está disponível durante todo o ano nas unidades de saúde e deve ser administrada pelo menos 10 dias antes do deslocamento para áreas de risco, principalmente, para os indivíduos que são vacinados pela primeira vez.

Com informações do Ministério da Saúde e Agência Brasil.

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