Postado em 22 de Dezembro de 2017 às 11h14

Diabetes: uma doença silenciosa

Vida Saudável (34)

Pesquisa revela que diabetes cresceu mais de 50% na última década.

Por Samara Grando

O número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 61,8% nos últimos 10 anos, passando de 5,5% da população em 2006, para 8,9% em 2017. O diabetes é uma doença crônica caracterizada pelo aumento da glicemia (glicose no sangue), que leva a sintomas como cansaço, excesso de sede e de urina, visão turva e emagrecimento não proposital, por exemplo. “Pode acontecer de maneira totalmente assintomática e, por isso, a importância de medir a glicemia, principalmente nos pacientes em maior risco, como aqueles com histórico familiar, com obesidade ou em gestantes. O tratamento precoce reduz o desenvolvimento das complicações”, comenta a endocrinologista Camila Cassol Brum.

Quando a pessoa tem diabetes, no entanto, o organismo não fabrica insulina e não consegue utilizar a glicose adequadamente. O nível de glicose no sangue fica alto, ocorrendo a famosa hiperglicemia. Se esse quadro permanecer por longos períodos, poderá haver danos em órgãos, vasos sanguíneos e nervos.

A médica explica que os tipos mais comuns de diabetes são: o que ocorre por falta de insulina (Diabetes tipo 1) e o que ocorre por redução da sensibilidade das células à ação da insulina (Diabetes tipo 2). Existem também outros tipos intermediários e mais raros.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), há no Brasil cerca de 13 milhões de pessoas vivendo com a patologia, o que representa cerca de 6,9% da população.

E esse número crescente favorece o surgimento de complicações. Amanda Alves, 27 anos, diagnosticada com diabetes tipo 1, vive com a doença há sete anos. Descobriu quando começou a ter diversos problemas de saúde, passou a ter mais sono, fome e frequentes dores de cabeça. “Fui ao médico fazer um simples exame de sangue, no entanto descobri que estava com diabetes, foi um choque misturado com uma tristeza profunda e dor ao mesmo tempo”, conta a estudante. Na época, lembra que nem sabia o que era a doença, foi atrás de informações e hoje convive tranquilamente com ela. “Comecei a me exercitar mais e transmitir o meu conhecimento sobre a doença para as outras pessoas, isso ajuda a elas e me faz sentir muito bem”, comenta.

Ao contrário de Amanda, Romélia Alcantara de Jesus, 65 anos, não teve os mesmos cuidados quando diagnosticada. Há 15 anos, a aposentada convive com o diabetes tipo 2. Por não fazer o acompanhamento adequado, Romélia está em estágio mais avançado que o de Amanda, que se cuidou desde o início, enquanto a aposentada só começou o tratamento mais tarde. “Quando descobri a doença, não liguei, não dei muita importância e, consequentemente, não me cuidei. Depois de dois anos do diagnóstico comecei a ter crises, passar mal, não conseguia dormir direito e passei a comer muito. Fui ao médico e descobri o que significava ter diabetes, o que não era importante, até o momento, para mim. Perdi muito peso, hoje já tenho uma vida mais tranquila, conheci os meus limites e sigo corretamente o tratamento. O meu maior medo é ficar dependente de alguém para me ajudar. Dos remédios e exames eu já sou, e isso dói em mim. Tenho medo de morrer. Todos nós temos problemas, só precisamos conhecê-los e saber a melhor forma de lidar com eles”, relata Romélia.

A doença, quando não tratada adequadamente ou controlada, pode evoluir com problemas visuais (até cegueira), insuficiência renal (com necessidade de hemodiálise, se avançada), infarto cardíaco e acidente vascular cerebral. As complicações são grandes, com possibilidade também de doença dos nervos (câimbras, formigamentos, demência) e até surdez. O desenvolvimento desses problemas pode ser evitado com a melhora alimentar, atividade física, suspensão do consumo de álcool e cigarro, além do uso dos medicamentos recomendados pelo médico.

Pré-diabetes: um alarme para uma futura doença

Revista Servioeste Saúde e Meio Ambiente Pré-diabetes: um alarme para uma futura doença Uma pessoa é considerada de alto risco para progressão ao diabetes quando apresenta alterações no metabolismo da glicose,...

Uma pessoa é considerada de alto risco para progressão ao diabetes quando apresenta alterações no metabolismo da glicose, níveis elevados de glicose de jejum ou hemoglobina glicada, além da tolerância diminuída à glicose. Segundo a ADA (American Diabetes Association), valores de glicemia de jejum entre 100 e 125 miligramas por decilitro, glicemia medida duas horas após a ingestão de 75 gramas de glicose anidra entre 140 e 199 miligramas por decilitro e hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%, aumentam significativamente o risco de progressão para diabetes, principalmente para pessoas obesas, sedentárias e com histórico familiar positivo.

A maioria da população não sabe o que é pré-diabetes. Uma pesquisa realizada pela SBD em parceria com o laboratório farmacêutico Abbott apontou que apenas 30% dos pacientes tinham informações sufi cientes sobre essa condição. O termo pré-diabetes é usado quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas não o sufi ciente para um diagnóstico de diabetes tipo 2. Obesos, hipertensos e pessoas com alterações nos lipídios estão no grupo de alto risco.

É importante destacar que 50% dos pacientes nesse estágio ‘pré’ vão desenvolver a doença. O pré-diabetes é especialmente importante por ser a única etapa que ainda pode ser reverti da ou mesmo que permite retardar a evolução para o diabetes.

De acordo com a International Diabetes Federation, entidade ligada à ONU, existem no mundo mais de 380 milhões de pessoas com diabetes. Na maioria dos casos, a doença está associada a condições como obesidade e sedentarismo, fatores que, na maioria das vezes, podem ser reverti dos. É possível reduzir a taxa de glicose no sangue com medidas simples. Perder de 5% a 10% do peso por meio de alimentação saudável e exercícios faz uma grande diferença na qualidade de vida.

Uma das orientações feitas pelos profissionais é fugir do consumo excessivo e sempre checar a embalagem dos produtos antes de consumi-los, pois, pode não parecer, mas alimentos como o famoso pãozinho francês, o ketchup e o molho de tomate possuem açúcar em suas composições.

“Recomenda-se manter um estilo de vida saudável. Alimentar-se com qualidade e praticar exercícios regulares (e tentar associá-los com um momento de lazer) é fundamental. Realizar consultas periódicas com o endocrinologista (a cada três a seis meses) e utilizar os medicamentos continuamente, evitando soluções ‘milagrosas’ como chás e shakes, ajudam a criar uma rotina de cuidados que influência em todo estado de bem-estar do paciente”, orienta a doutora Brum.

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