Postado em 21 de Julho de 2020 às 10h08

Dengue prolifera enquanto o mundo se volta à crise da covid-19

Educação Ambiental (23)

Sem tratamento específico, a melhor medida é eliminar criadouros

Mais de 1,6 milhão de casos de dengue foram registrados nas Américas nos primeiros cinco meses de 2020. A maioria deles no Brasil: 1.040.481 casos, 65% do total. Os dados são da mais recente atualização epidemiológica da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). A concentração de óbitos foi nos estados da região Sul (Paraná), Sudeste (São Paulo) e Centro-Oeste (Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso). Acre, Bahia e Goiás também estão entre os estados mais afetados, relata o Ministério da Saúde. Até final de junho, foram 415 óbitos, 663 casos de dengue grave, 8.066 casos de dengue com sinais de alarme (indicadores de gravidade). Em Santa Catarina, 10 mil casos foram confirmados. Atualmente, no estado, são 10 municípios em situação de epidemia.

Bactéria do “bem”

A Fiocruz voltou a liberar exemplares do Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia em três bairros do Rio de Janeiro (RJ), para auxiliar no controle dos mosquitos. A Wolbachia é um microrganismo intracelular presente em 60% dos insetos da natureza, mas ausente nos Aedes aegypti. Esta bactéria não infecta naturalmente espécies de mosquitos vetores mais importantes, como o Aedes aegypti. 

Em laboratório, por meio de microinjeção, a Wolbachia é transferida da mosca-da-fruta para os ovos do Aedes aegypti, sem intervenção genética. Quando presente nestes mosquitos, esta bactéria impede que os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela se desenvolvam no mosquito, contribuindo para redução das doenças. 

A ação da Fiocruz consiste em liberar Aedes aegypti com Wolbachia para que se reproduzam com as espécies locais e estabeleçam uma nova população de mosquitos com Wolbachia. O trabalho é um esforço coletivo da Fiocruz e World Mosquito Program (WMP), iniciativa global sem fins lucrativos de combate a doenças transmitidas por mosquitos. O Método Wolbachia, iniciado por pesquisadores australianos da Universidade de Monasha, é uma forma segura, natural e autossustentável de reduzir a ameaça de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. O WMP opera em 12 países ao redor do mundo.

Prevenção

Como a dengue não tem tratamento específico, apenas alívio dos sintomas, a melhor medida é prevenir a proliferação dos mosquitos. Resíduos como garrafas, plásticos, latas, entulhos de construção descartados de forma inadequada, por conterem água parada, podem abrigar ovos do Aedes aegypti. Geralmente, estes criadouros estão nos quintais das residências, nos comércios, ferros velhos, terrenos baldios, ressalta a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC).

“Se todos agirmos sistematicamente para eliminar os habitats dos mosquitos, podemos dar um contragolpe na dengue, reduzindo o risco de transmissão”, afirma o chefe de doenças negligenciadas, tropicais e transmitidas por vetores da OPAS, Luis Gerardo Castellanos.

Atenção aos sintomas

Os vírus causadores da dengue, Chikungunya e zika são transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti. Estas doenças apresentam sinais e sintomas parecidos, mas com níveis de gravidade diferentes. Pessoas com sintomas de dengue, incluindo febre, dores musculares e de cabeça, devem procurar atendimento médico e alertar aos sinais de gravidade, como vômitos persistentes, dor abdominal intensa e tontura.

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