Postado em 24 de Novembro de 2020 às 10h21

Atraso na erradicação dos lixões compromete a saúde pública, meio ambiente e economia

Resp. Ambiental (35)

Desde 2014, lixões a céu aberto deveriam ter sido erradicados nos municípios de todo o país, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) instituída pelo governo federal em 2010. Porém, quando chegamos à expiração do prazo, 60% das prefeituras não haviam cumprindo a determinação, encaminhando anualmente 30 milhões de toneladas de resíduos para locais inadequados, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Nos últimos anos, a produção de lixo cresceu três vezes mais rápido que o número de habitantes, das 5.570 cidades brasileiras, quase metade não tem um plano integrado para o manejo do lixo. Este grande desafio deverá ser assumido e enfrentado pelos prefeitos eleitos este ano, já que o governo estendeu o prazo da erradicação para 2021.

Os danos causados pelo descarte incorreto em lixões são inimagináveis, pois sempre desencadeiam novos problemas não somente para o meio ambiente e a saúde da pública, mas para os cofres públicos que somam um prejuízo anual de mais de R$ 3,6 bilhões, valor gasto para reverter danos ambientais e tratar dos problemas de saúde causados pelos impactos negativos dos resíduos.

Além da contaminação do solo, do lençol freático, produção de gases tóxicos, mau cheiro e atração de animais que transmitem doenças, muitas pessoas tiram seu sustento desses locais insalubres, recolhendo o lixo para reaproveitar os materiais, sujeitando-se a contrair doenças de pele e parasitárias. Em escala global, somente em 2016, mais de 750 pessoas morreram devido à gestão precária de resíduos sólidos em lixões ? uma violação aos direitos humanos.

O maior impedimento para tratar o lixo é a falta de recursos das cidades para elaborar um plano de manejo dos lixões. Por outro lado, os investimentos necessários para dar destinação adequada aos resíduos, em atendimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos, demandam cerca de um terço do prejuízo anual, segundo relatório da Associação Internacional de Resíduos Sólidos (ISWA). Ou seja, não resolver os problemas possui um custo financeiro superior quando comparado ao valor para inserir alternativas ambientalmente adequadas.

Ainda de acordo com um estudo da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre), o Brasil necessita de aproximadamente 500 aterros sanitários para erradicar os lixões, podendo ser todos construídos com um investimento de R$ 2,6 bilhões (cerca de R$ 63,40 per capita).

Se em 2021 não tivermos um sistema de gestão, planejamento, recursos financeiros, apoio e ações governamentais, a erradicação dos lixões será novamente postergada e quem arcará seremos todos nós, sem exceção.
Os impactos podem não ser sentidos por todos hoje, mas devem acometer grande parte da população mundial daqui alguns anos.


Francisco Oliveira é engenheiro civil e mestre em Mecânica dos Solos, Fundações, Geotecnia e fundador da FRAL Consultoria.

Fonte: Ecodebate

Veja também

Aeroporto RIOgaleão recebe reconhecimento internacional20/11/17RIOgaleão recebe Menção Honrosa na conferência internacional Airports Going Green pelo projeto Ciclo Orgânico. Pelo segundo ano consecutivo, o RIOgaleão recebe menção honrosa, na 10ª Conferência Airports Going Green, realizada em Dallas, no Texas (EUA). A entidade concedeu o prêmio ao Aeroporto Internacional Tom Jobim pelo trabalho de compostagem realizado junto a toda comunidade aeroportuária para dar destino adequado aos resíduos orgânicos gerados no terminal. O......
Pescador cria projeto em defesa do rio e do futuro da profissão13/10/17Objetivo é promover a conscientização em relação às alterações do meio ambiente e criar soluções a parti r da comunidade. Reportagem e fotos: Maureci Junior Vencedor do VIII Prêmio Unochapecó-Caixa de Jornalismo Ambiental Homem simples, de fala mansa e sorriso fácil. Sob os cabelos grisalhos e a barba vultosa, a pele denuncia os anos de......
Esgotamos os recursos naturais disponíveis para 201703/08/17O dia em que o Mundo atinge o limite do uso sustentável de recursos naturais para o ano chega cada vez mais cedo. A cada ano, os seres humanos esgotam mais cedo os recursos naturais do planeta. É como um orçamento ambiental, quando a demanda anual da humanidade por recursos excede o que o planeta Terra é capaz de regenerar naquele ano. Em 2017, o Dia......

Voltar para NOTÍCIAS